Friday, February 6, 2009

Diva do jazz é brasileira - "Chiques & Famosos"

Revista "Chiques & Famosos"
Ano II, Nº 11
6 de fevereiro de 2009
Pág. 6 - Sumário
Spot: o jazz de Ithamara Koorax no Brasil
Pág. 43 - VERBO
A Palavra das Celebridades
VOZ EXPORTAÇÃO
Sucesso nos EUA, a cantora brasileira de jazz, Ithamara Koorax, fala de sua aplaudida carreira e de seu estilo inconfundível.
Diva do jazz é brasileira
A crítica musical norteamericana elegeu as três melhores intérpretes desse gênero. E uma delas é Ithamara Koorax
Por Décio Piccinini
Mas o sucesso não é novidade para a cantora que depois de gravar muitos temas para novelas globais, decidiu botar o pé na estrada e abalar o planeta com seu jeitão peculiar de cantar. De tudo... É aplaudida e homenageada como fenômeno da música. Isso a ponto de conquistar até a crítica musical dos Estados Unidos que, quando se trata de jazz, pode ser bastante radical, quase protecionista. Por isso, para um músico ou intérprete de outro país ter seu talento reconhecido, precisa ser extraordinário. Algumas poucas cantoras brasileiras fizeram história por lá, atrevendo-se a cantar jazz. Nomes como Flora Purim, Leny Andrade e agora, Ithamara Koorax.
Versão integral da entrevista concedida por Ithamara Koorax ao jornalista DécioPiccinini

1. No Brasil, ser, ou não, a melhor cantora do país, pouco significa em termos de realização financeira. E nos Estados Unidos? Como é a vida da terceira melhor cantora de jazz do mundo? Muita grana, mil empresários implorando sua assinatura em contratos milionários, limusines, altas badalações? Ou não é tudo isso?

IK: É e não é. Dentro dos Estados Unidos, seja para shows ou gravações, realmente sempre colocam limusine à minha disposição. E não é de hoje não. Na primeira vez que eu fui a trabalho para Nova Iorque, em 1991, o produtor Creed Taylor colocou uma limo a minha disposição durante dez dias. Na Ásia também rola essa mordomia, especialmente no Japão e na Coréia, onde recebo tratamento de pop-star condizente com a minha colocação no mercado. Afinal, desde 2000 eu não canto em clubes de jazz, só faço grandes concertos para uma media de 5 mil pessoas em grandes teatros ou ao ar livre. Quando estou em Nova Iorque ou Los Angeles, é difícil ficar alguma noite sem ir a uma festa badalada. Na Europa também, mas os deslocamentos durante as turnês é menos glamuroso, geralmente de trem, porque as cidades são muito próximas, então não compensa ir de avião por causa do tempo que se gasta em aeroporto. Mas os trens são maravilhosos, especialmente na primeira-classe e dentro da Suiça, onde irei fazer 12 shows agora na próxima turnê que começa dia 14 de março e vai até final de abril.

2. Não é incorreto rotulá-la como intérprete de jazz já que você canta de tudo? Há quem diga que sua definição como cantora de jazz não é correta, uma vez que tanto em discos como em shows, você flerta também com samba, com bossa e outros ritmos. Ora, a Diana Krall canta "I've Got You Under My Skin" com batida de bossa e com a introdução daquele bolero, "Contigo En La Distancia", sem que ninguém reclame. Você acha que essa mania de querer classificar tudo, separar as coisas, de querer tudo rotuladinho é mania de brasileiro?

IK: Eu nunca me auto-rotulei como cantora de jazz. Quem colocou esse carimbo foi a crítica internacional. E quando os maiores jornalistas e historiadores de jazz me definem dessa maneira - pessoas como Ira Gitler, Thom Jurek, Fred Brouchard, Frank-John Hadley e Scott Yanow -, eles devem saber o que estão falando. O Scott, aliás, acabou de me incluir entre as maiores cantoras da história do jazz no novo livro dele, "The Jazz Singers: The Ultimate Guide", tendo deixado de fora Madeleine Peyroux, Norah Jones e Joni Mitchell. Eu vou reclamar? Eu fico é feliz!!! Mas é óbvio que eu não canto apenas jazz. Já gravei dez temas para trilhas de novelas da TV Globo que não têm nada a ver com o jazz. Meu trabalho na área da dance-music, que desenvolvo na Europa desde 1994, já gerou vários Top 10 Hits em Ibiza e mais de cinquenta remixes feitos por DJs como Tom Novy, Parov Stelar e Tetsuo Shibuya. No mundo todo,inclusive no Brasil, volta e meia faço concertos de música clássica com orquestras sinfônicas. Não aceito limitações e não quero me prender a um estilo.

3. Toniquinho, baterista da Jazz Sinfônica, diz que, salvo raras exceções, o brasileiro nasce surdo de um ouvido e com uma banana enterrada no outro. É isso mesmo?

IK: Adoro o Toniquinho, com quem tive o prazer de tocar no lindo concerto que fiz com a Orquestra Jazz Sinfônica em 2005, mas não concordo com ele. A platéia brasileira é a mais musical e calorosa do mundo.

4. Quando assinou contrato com a gravadora Som Livre, você foi cantar no Faustão. Era para cantar duas músicas. O Ibope subiu, o sucesso foi tanto que você ficou mais de 20 minutos lá. Só que isso aconteceu uma vez. Você acha que isso se repetiria se voltasse na semana seguinte?

IK: Se eu fosse convidada para ir ao Faustão uma vez por mês, como acontece com alguns artistas, eu seria uma das cantoras de maior popularidade no Brasil, mesmo sem cantar axé ou sertanejo. Não tenho dúvida alguma! Outra coisa: quem inventou essa bobagem de me classificar como "elitista" foi a crítica brasileira, que vive chamando o povo de burro. E nenhuma das duas coisas é verdade. Meu som não é elitista nem o público é burro.

5. Você concorda com quem acha que brasileiro, às vezes, até gosta de música boa, mas... reage?

IK: No meu caso, felizmente reage aplaudindo muito. A crítica é que fica enlouquecida quando vê alguém que eles não consideram "popular" fazendo sucesso, lotando todos os shows. É uma velha e ultrapassada mania de esnobismo. Enquanto isso eu sigo em frente, fazendo uma média de 80, 90 shows por ano. E todos lotados, em qualquer lugar do Brasil ou do mundo. Não faço "jazz de museu", não sou tradicionalista, e por isso as pessoas gostam tanto dos meus shows, mesmo as que não são fanáticas por jazz.

6. Cada vez que se publica alguma coisa sobre você, fala-se da influência que sofreu de Flora Purim. Eu ouço uma, depois a outra e não vejo influência alguma. Tem?

IK: Tem sim. Talvez você tenha ouvido apenas os trabalhos mais recentes da Flora. Mas os discos que me influenciaram foram os que ela gravou nos anos 70, quando a estética dela era completamente diferente da atual.

7. Não é raro vê-la se apresentando em pequenas cidades do interiorzão do Brasil. Seguramente, nesses locais você não ganha os cachês que receberia em Berlim, Tóquio ou Nova York. Então, você faz essas apresentações para não perder o pé em nossa realidade, para que esse povo possa tomar contato com música de verdade, enfim, por que?

IK: Exatamente por essas razões que você citou. As minhas "férias" são passadas excursionando pelo interior do Brasil, geralmente a convite do SESC, que desenvolve este trabalho maravilhoso de subsidiar shows para uma platéia que não teria acesso de outra maneira. Claro que o cachê é menor, mas a minha alegria é a mesma ou até maior ao ver as pessoas trazendo discos para eu autografar e me tratando com muito carinho.

8. Qual é seu ideal de diversão?

IK: Dançar e namorar muuuuuito!

9. Como foi a sua ida para o exterior? Como aconteceram as primeiras oportunidades por lá?

IK: Eu nunca decidi sair do Brasil. A internacionalização da minha carreira aconteceu naturalmente, foi um processo orgânico, nada foi premeditado. Os convites para shows e gravações foram surgindo primeiro na Ásia, depois na Europa e finalmente nos EUA depois de 2000. E na verdade eu nunca deixei o Brasil, até hoje passo grandes períodos aqui. Em 2005 eu fui contratada pelo Sofitel para reinaugurar o Horse's Neck Jazz Bar, em Copacabana. Eles me trouxeram de Los Angeles e eu fiz uma temporada de três meses, com casa lotada diariamente. Voltei em 2006 e fiquei em cartaz quatro meses. Eu viajo pelo Brasil todo, já cantei na Bahia, no Acre, no Pará, em Alagoas, Piauí, Amapá, Sergipe, Ceará, e sou sempre muito bem recebida. As pessoas conhecem meus discos, principalmente as gravações para as dez trilhas de novelas da Globo, e lotam os shows. Isso é muito legal porque mostra que o público brasileiro não me esquece, mesmo que eu fique metade do ano no exterior. Hoje vivo em avião. Passo um bom tempo em Los Angeles e Nova Iorque, agora aluguei também um apartamento em Lucerna, na Suiça, para servir de base para as duas turnês anuais que faço pela Europa. E procuro vir ao Brasil sempre que possível, aceito todos os bons convites para shows que aparecem, pois amo o meu país e o meu povo, adoro cantar aqui. Eu nunca me distanciei da minha terra.

10. Com essa crise econômica, como o povo dos vários países onde você se apresenta está reagindo? As platéias estão ficando reduzidas?

IK: Por enquanto não noto diferença, pelo contrário. Acabei de realizar duas temporadas superlotadas em janeiro, no Rio de Janeiro, no "Mistura Fina" e no "Bar do Tom". Precisei fazer até shows extras! Agora estou indo em fevereiro para a Ásia, depois de shows em Curitiba e São Paulo. Em meados de março começa nova turnê pela Europa, e muitos concertos estão já com ingressos esgotados. É bom lembrar que, enquanto a vendagem de CDs caiu assustadoramente em 2008 no mundo todo, as receitas com shows aumentaram bastante. Dentro desta nova realidade, fazer shows é muito mais importante do que lançar discos. Até o Elton John já falou isso.

11. Quando o público pede uma música sua que não está programada, você atende?

IK: Geralmente sim, porque tenho mais de 200 músicas ensaiadas com minha banda. É só procurar a partitura.

12. Qual a música que você tem de cantar - em suas apresentações - caso contrário sai briga. É "Serenade in Blue" ou alguma daquelas de telenovelas como "Cristal" e outras?

IK: Depende do contexto do show. No Brasil, as músicas mais pedidas são geralmente "Iluminada", que é uma obra de Chopin com letra do Aldir Blanc e foi tema da mini-série "Riacho Doce", e "Disritmia", do Martinho da Vila, que eu nunca gravei mas virou um "clássico" do meu repertório. Na Ásia, cantar "Manhã de Carnaval", de Luiz Bonfá e Antonio Maria, que eu gravei em 1996, é uma cláusula contratual. Na Europa pedem muito "Un Homme et Une Femme", "Bye Bye Blackbird" e "I Fall in Love Too Easily".

13. Fale de seu dia-a-dia.

IK: Muito trabalho, muita dieta e muita ginástica! Vivo em dieta...(rsss) Adoro doces e é difícil me controlar, principalmente nas turnês e quando está muito frio, abaixo de zero. Continuo fazendo aula de canto e também pratico sozinha pelo menos uma hora por dia. Gosto de nadar e de fazer Pilates.

14. Você se ligaria sentimentalmente a alguém que não tivesse a menor percepção musical?

IK: Jamais. Não por preconceito, mas porque faltaria uma coisa essencial no relacionamento. Curtir música sozinha não teria a menor graça.

15. Para conseguir viver razoavelmente de música, só mesmo em outros países?

IK: Acho que não. Tem dezenas de artistas milionários no Brasil, não tem?

16. Na capa do álbum "Rio Vermelho", você se deixou fotografar toda sexy. Depois, isso não aconteceu mais. Por que? Você acha que demonstrar sensualidade prejudica o conceito de "seriedade musical"? Se fosse assim, pobres das pernas de Diana Krall e Julie London.

IK: Eu não acho que prejudique, mas os japoneses acharam. Tanto que, quando o "Rio Vermelho" foi lançado lá, em 1995, fizeram uma nova foto para a capa, para passar uma imagem mais "séria". A princípio eu fiquei chateada, porque adoro aquela foto sensual feita pelo Livio Campos. Mas depois tive que concordar com eles, porque o disco chegou ao Top 10 e vendeu muito, além de ter sido aclamado pela crítica. Depois eles ficaram mais liberais, tanto que não mudaram a capa do "Love Dance" (de 2003), que também é sensual.
Pág. 95
SHOWS
por Patrícia Morgado
Ithamara Koorax presenteia paulistanos

Considerada a terceira melhor cantora de jazz do planeta, Ithamara Koorax retorna a São Paulo e se apresenta no próximo dia 11 de fevereiro no Teatro Cosipa Cultura, zona sul da capital paulista. Após passar pelo Rio de Janeiro e fazer uma aclamada turnê pelos Estados Unidos, a cantora brasileira interpreta as canções de "Brazilian Butterfly", seu último album. Dividindo a cena com o pianista e maestro José Roberto Bertrami, ela embala os fãs com sucessos como "Meditação", "Autumn in New York", "Manhã de Carnaval", "I Fall in Love Too Easily", "Se Queres Saber" e "Pigmalião 70". Depois de São Paulo, a estrela faz shows no Japão, Coréia e Europa.

Sunday, February 1, 2009

Ithamara Koorax interview for "O Fluminense"

Jornal "O Fluminense"
Niterói, domingo, 1º, e segunda-feira, 02 de fevereiro de 2009
Ano 131, Nº 38.522
Ithamara Koorax - A musa do Jazz
Niteroiense é eleita uma das melhores do jazz
Em turnê pelo Brasil, a cantora Ithamara Koorax, que atualmente mora em Los Angeles, nos Estados Unidos, fala a O FLU Revista do início da carreira e da associação com grandes músicos do jazz, além de revelar como conquistou o respeito dos críticos internacionais.
O FLU Revista
Fevereiro de 2009 - Número 45

Entrevista Ithamara Koorax
Na lista das MELHORES
A niteroiense Ithamara Koorax volta ao Brasil com a turnê "Brazilian Butterfly", carregando o título de uma das três melhores cantoras de jazz do mundo
Thaís Sousa
Fotos: Marcio Oliveira
Pouco menos de 19 anos de carreira foram suficientes para que Ithamara Koorax se consagrasse como uma das melhores cantoras de jazz do mundo, segundo a revista DownBeat, a "bíblia do jazz"... Aos 43 anos, a cantora alterna sua rotina entre viagens e apresentações pelos Estados Unidos, Europa e Ásia. Mas, ao aportar no Brasil para mais uma temporada de shows, Ithamara falou a O FLU REVISTA. Para poupar seu instrumento, a voz, a cantora concedeu entrevista por e-mail, mas fez questão de receber a equipe no Bar do Tom, no Leblon. Acompanhada pelos músicos Jorge Pescara (baixo), José Roberto Bertrami (teclados), Haroldo Jobim (bateria) e Paulo Fernando Marcondes Ferraz (percussão), ela cantou as músicas de sua turnê "Brazilian Butterfly", que já rodou o mundo.

Versão integral da entrevista concedida à repórter Thaís Sousa, do jornal "O Fluminense":

1) O seu primeiro contato com a música foi em canto coral. Como foi esse início e como chegou à carreira solo?

Na verdade meu primeiro contato com a música se deu através do estudo de piano clássico, com Helda Pinheiro dos Santos, grande pianista e harpista de Niterói, aos 5 anos de idade. Logo depois me alfabetizei ao mesmo tempo em que estudava solfejo, harmonia e teoria musical com Isis Machado, me formando aos 12 anos em teoria. O canto coral veio em seguida, quando entrei para o Coral do Centro Educacional de Niterói, regido pelo Professor Ermano Soares de Sá. Foi uma época maravilhosa, viajamos pelo Brasil e pela Europa, ganhamos vários festivais, e foi aí que surgiu a vontade de, um dia, adotar a música como carreira. Durante algum tempo eu era "cantora de final de semana". Gravei vários jingles, fiz backing-vocal para Tim Maia e Bebeto, participei de um disco de Vicente Viola, tive a honra de participar de shows de Tito Madi e Paulo Cesar Pinheiro, mas somente iniciei a carreira-solo como profissional em 1990.

2) Quais foram as suas influências musicais?

Minha mãe, que ainda vive, era cantora lírica, e meu pai também adorava música. Ambos poloneses. Eu fui a primeira pessoa da família a nascer no Brasil. Além de muita música clássica, eles ouviam música popular. Minha primeira cantora favorita foi Elizeth Cardoso, porque eu cresci ouvindo o histórico disco "Canção do Amor Demais", no qual João Gilberto plantou a semente da bossa nova ao acompanhar Elizeth na faixa "Chega de Saudade". Mas eu amava o disco inteiro, sabia todas as músicas e os arranjos de cor. Depois me apaixonei por Elis Regina e Barbara Streisand. Ouvia também Tony Bennett, Frank Sinatra, Chico Buarque, Stellinha Egg, Paulinho da Viola e Edu Lobo. Lembro de uma loja de discos na Rua Moreira César, entre Belisário Augusto e Oswaldo Cruz, cujo dono era o Elton, hoje dono do Steak House. Acho que se chamava Zoom. Foi lá que eu comprei meus primeiros discos de jazz, do selo Pablo, que lançava os LPs da Ella Fitzgerald e da Sarah Vaughan nos anos 70. Jamais poderia imaginar que, um dia, eu assinaria contrato com a Milestone Records, que havia comprado a Pablo, e minhas gravações seriam lançadas em compilações ao lado de faixas da Ella e da Sarah...

3) No início do seu trabalho, nos primeiros álbuns, seu estilo era MPB. Como chegou ao jazz?

Em 1991 eu fui convidada pelo lendário produtor Creed Taylor para participar, em Nova Iorque, de um disco do trompetista Art Farmer. Nos intervalos e noites de folga eu fui a vários shows de jazzmen como Louie Bellson, Michel Camilo, Gene Bertoncini, Joe Beck e de Lew Soloff, ex-integrante do Blood, Sweat & Tears, um grupo que eu amava. Claro que eu também fui assistir Liza Minelli no Radio City Music Hall, mas passei a maior parte do tempo ouvindo jazz por quase dois meses. Também acompanhei a mixagem de um disco do Luiz Bonfá, produzido pelo Arnaldo DeSouteiro no estúdio do Eumir Deodato, sem saber que, três anos depois, eu viria a trabalhar com esses três feras. O Arnaldo, aliás, foi o principal responsável por desenvolver minha paixão pelo jazz. Eu mesma produzi meu primeiro CD, junto com Mauricio Carrilho e Paulo Malaguti, e ficou um trabalho muito bonito, com músicas do Guinga e do Aldir Blanc, uma parceria que eu lancei. Tenho até o vídeo de uma entrevista do Aldir na TV Educativa dizendo que eu era "a terceira parceira", de tão envolvida que eu estava naquele processo de criação. Ganhei vários prêmios, mas o disco vendeu pouquíssimo. Ao gravar o segundo CD, "Rio Vermelho", em 1994, convidei o Arnaldo DeSouteiro para produzir. Ele adicionou elementos jazzísticos, improvisos e chamou músicos como Bonfá, Ron Carter e Sadao Watanabe. Ficou um disco de MPB, mas muito sofisticado. Ainda teve o Tom Jobim, que se ofereceu para participar porque tinha gostado das gravações das músicas dele no disco anterior. E quando você trabalha com músicos desse nível, você aprende muito. Embora tivesse apenas uma música americana ("Cry Me A River"), o disco foi rotulado como jazz no exterior, chegou ao Top 10 no Japão e levou minha carreira a tomar um rumo internacional.

4) Quando você decidiu sair do país? Foi pela música?

Eu nunca decidi sair do Brasil. A internacionalização da minha carreira aconteceu naturalmente, foi um processo orgânico, nada foi premeditado. Os convites para shows e gravações foram surgindo na Ásia, na Europa, nos EUA. E na verdade eu nunca deixei o Brasil, até hoje passo grandes períodos aqui. Em 2005 eu fui contratada pelo Sofitel para reinaugurar o Horse's Neck Jazz Bar, em Copacabana. Eles me trouxeram de Los Angeles e eu fiz uma temporada de três meses, com casa lotada diariamente. Voltei em 2006 e fiquei em cartaz quatro meses. Eu viajo pelo Brasil todo, já cantei na Bahia várias vezes, no Acre, no Pará, em Alagoas, Piauí, Macapá, Ceará, e sou sempre muito bem recebida. As pessoas conhecem meus discos, principalmente as gravações para as dez trilhas de novelas da TV Globo, e lotam os shows. Isso é muito legal porque mostra que o público brasileiro não me esquece, mesmo que eu passe metade do ano no exterior.

5) Existe espaço comercial para o jazz no Brasil?

Claro! Diria até que mais do que nunca. Uma cantora como a Leny Andrade, que é a nossa Sarah Vaughan, não pára de fazer shows no Brasil. Também houve um aumento enorme no número de festivais de jazz, que há dez anos atrás não existiam. Eu já cantei nos festivais de Ipatinga (Minas Gerais), Londrina (Paraná), Guaramiranga (Ceará), Rio das Ostras (RJ) e fiquei impressionada com a organização e com o público.

6) Fora do Brasil, você tem uma carreira sólida. Ainda se sente distante do público brasileiro? Como você lida com isso?

Não me sinto distante do público brasileiro, e a minha carreira também é sólida no Brasil. Faço uma média de 50 a 60 shows por ano no Brasil. Desde 1990 eu realizo temporadas anuais no Mistura Fina, sempre com grande sucesso, tanto que já virou tradição que eu abra a programação da casa, como aconteceu agora mais uma vez, com recorde de público e shows extras. O sucesso continuou por duas semanas de casa superlotada no Bar do Tom. Agora vou fazer show no Teatro da Caixa, em Curitiba, e lecionar na Oficina de Música de Verão promovida pela Universidade Federal do Paraná, dando o mesmo curso de técnica vocal e interpretação que eu ministro nas universidades européias. Depois sigo para São Paulo, onde faço dois shows no Teatro Cosipa antes de viajar para concertos com orquestras sinfônicas na Ásia e, na sequencia, uma turnê de quase dois meses pela Europa a partir de 14 de março. Não posso me queixar de nada.

7) Você foi considerada a terceira melhor cantora de jazz do mundo pela DownBeat, logo atrás de duas cantoras americanas. Como é esse reconhecimento justamente no mercado americano?

É claro que fico feliz e honrada. Mas, como digo sempre, não posso nem irei ficar deslumbrada. Fico feliz por dois dias e depois esqueço. Não canto para ganhar prêmios, não vejo a música como competição. O reconhecimento nos EUA demorou muito, só começou em 2000, com o sucesso do meu sexto CD "Serenade in Blue". Desde então venho sendo apontada entre as melhores cantoras, às vezes em quarto, às vezes em décimo lugar. Em 2008 veio o terceiro lugar na votação da DownBeat, fruto de uma dedicação muito grande ao mercado internacional. Como se trata da revista mais famosa de jazz em todo o mundo, esta eleição tem uma repercussão muito grande. Mas desde 1995 eu apareço nas listas de "melhores do ano" de várias revistas européias e asiáticas. Uma coisa que me surpreendeu mesmo foi ter sido consiederada, agora no final de 2008, uma das melhores cantoras de jazz de todos os tempos no livro "The Jazz Singers - The Ultimate Guide", do historiador Scott Yanow. Ele foi muito rígido na seleção, deixando de fora nomes como Madeleine Peyroux, Norah Jones e Joni Mitchell. Mas a minha biografia está lá, ao lado de Billie Holiday, Ella, Sarah, Carmen McRae, Betty Carter, Flora Purim... Issoi foi uma coisa que realmente me deixou emocionada.

8) Você é elogiada pela crítica devido ao seu timbre, mas também à sua extensão vocal. Manter a voz requer muita disciplina? Como você faz esse trabalho técnico?

Muita. E exige sacrifícios também: vou pouco à praia para não tomar vento, não posso beber gelado, cada vez falo menos ao telefone, e sigo fazendo exercícios vocais pelo menos duas vezes por semana, seja em que país do mundo eu esteja. Mas me divirto muito saindo para dançar, principalmente na Europa, e assistindo shows o elogio que mais gostei de receber aconteceu em 2007, quando o crítico Fred Bouchard, da DownBeat, começou a resenha sobre o "Brazilian Butterfly" escrevendo que eu era "deliciosamente imprevisível". Porque eu nunca me repito. Um ano eu gravo um disco inteiramente acústico cantando somente standards de jazz, em outro misturo bossa nova e drum 'n' bass, depois faço um projeto de baladas ou um disco bem dançante com DJs. O "Brazilian Butterfly", que foi aclamado pela crítica em 2007, só tem uma música americana, do Herbie Hancock. Todas as outras faixas são de autores brasileiros como Dorival Caymmi e Milton Nascimento. Meus fãs amam esta imprevisibilidade porque é uma prova incontestável da minha total liberdade artística, de poder cantar apenas o que eu gosto, sem dever satisfações a ninguém.


9) Morando nos Estados Unidos e visitando o Brasil periodicamente, como você enxerga o cenário musical brasileiro?

Confesso que não dá tempo de acompanhar o cenário musical brasileiro. Claro que tem muita coisa legal acontecendo, ótimos compositores novos surgindo como Rubens Lisboa, Marilene Meira e Jozi Lucka. Mas eu moro em avião! (rsss) Passo apenas uma parte do ano nos EUA, acabei de voltar de uma turnê maravilhosa em dezembro, mas já não aguentava mais o frio de 20 graus negativos. Geralmente eu evito ficar nos Estados Unidos ou na Europa no auge do inverno, mas desta vez não deu para resistir ao convite do Maestro Thiago de Mello para me apresentar com a big-band Amazon, em Nova Iorque, em um concerto comemorativo dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. Foi um evento de repercussão mundial.

10) Voltar ao Brasil é uma possibilidade? Sente falta de viver aqui?

Hoje em dia me sinto uma cidadã do mundo. Como diz o Milton, "o artista tem que ir aonde o povo está". Ou seja, aonde ele é chamado. Seja Finlândia, Coréia ou Inglaterra. Faço música universal, para ser apreciada em qualquer parte do planeta, e o Brasil faz parte do mundo. Tenho horror a rótulos e preconceitos. E não chego a sentir falta do Brasil porque volta e meia estou por aqui. Só lamento que exista tanta inveja, tanta fofoca e tanto rancor no meio musical brasileiro.

11) Você é uma das filhas mais ilustres de Niterói, uma cidade considerada bastante musical. Pensa em se apresentar deste lado da baía?

Claro! É só alguém me convidar...

12) Quais são as suas maiores lembranças da cidade?

Adorava o Cinema da UFF. Além de ser perto da minha casa, pois eu morava na Praia de Icaraí, tinha uma programação ótima, alternando novidades e clássicos de Fassbinder, Bergman etc. Lembro demais da Cantina de Capri, também na Praia, das empadinhas de camarão do Caneco Gelado do Mário (no Centro), do Bar do Seu Luiz que eu frequentava quase diariamente, tenho muita saudade dos doces e pães maravilhosos da Padaria Beira-Mar na Rua Moreira César, da lanchonete Matinata e do Steak House, onde terminavam as noitadas. Ia muito à Praia de Itacoatiara, onde passava às vezes um dia inteiro. Vi muito show no Teatro Leopoldo Fróes. Niterói vai morar pra sempre no meu coração.

13) Ithamara, você já fez parcerias musicais com alguns dos maiores nomes da música como Ron Carter, Larry Coryell e Gonzalo Rubalcaba. No Brasil, por exemplo, gravou com Tom Jobim, Hermeto Pascoal, João Donato e Elizeth Cardoso, de quem você sempre se declarou fã. O que ainda falta realizar em sua carreira?

Muita coisa. Porém, paradoxalmente, já me sinto completamente realizada.

14) Depois do sucesso da turnê Brazilian Butterfly, quais são os seus projetos para 2009?

Mais shows e gravações. Quando voltar da turnê européia no final de abril, irei gravar um disco no Brasil. O repertório está sendo testado nestes shows no Rio. O público recebe uma cartela e vota em cinco músicas que gostaria que eu gravasse. Tenho que fazer discos na Ásia e na Europa também. Preciso completar projetos com Dave Brubeck e Rodgers Grant. Estou compondo com o guitarrista japonês Mamoru Morishita e com o tecladista italiano Francesco Gazzara. Fora da área do jazz, tenho muitos convites para trabalhos nos circuitos de dance-music e de música clássica contemporânea, principalmente na Suiça e na Alemanha.

Tuesday, January 27, 2009

Ithamara Koorax interview for "Monitor Campista"

Jornal "Monitor Campista"
Campos dos Goytacazes
26 de janeiro de 2009 - Pág. B1
Ano 175, Nº 23
Caderno "maiscultura"
Considerada a terceira melhor cantora de jazz do mundo, a brasileira Ithamara Koorax - que esteve se apresentando em Campos no ano passado - fala ao Monitor Campista sobre a agenda lotada até novembro de 2009 e projetos, como as temporadas na Ásia e Europa. Pág. B1

Wednesday, January 14, 2009

Koorax @ Bar do Tom - "ALEF"

Jornal "ALEF"
Ano 14, Edição 1.263
14 de janeiro de 2009

Após uma aclamada excursão pelos EUA em dezembro, Ithamara Koorax iniciou sua "Brazilian Butterfly Tour 2009" com três shows superlotados no Mistura Fina. Depois a cantora começou uma temporada de duas semanas no Bar do Tom, que se encerra no próximo final de semana, com shows nos dias 16 e 17 de janeiro, às 22h. Informações sobre o show, acesse aqui. Informações sobre Ithamara, acesse aqui.

Tuesday, January 13, 2009

Koorax @ Bar do Tom - "O Dia"

Jornal "O Dia"
13 de janeiro de 2009
Caderno "O Dia D" - Pág. 06
Coluna "Telenotícias & Celebridades", de Regina Rito

ÚLTIMOS DIAS
Quem não viu não pode perder as últimas apresentações do show "Brazilian Butterfly", no Bar do Tom, essa sexta e sábado, estrelado por Ithamara Koorax, eleita uma das três melhores cantoras de jazz do mundo pelos leitores da revista DownBeat, ao lado de nomes como Diana Krall e Cassandra Wilson.

Ithamara Koorax - GNT online

Ithamara Koorax dá canja exclusiva para GNT online « Linked People ...
12 Jan 2009 ...
AGENDA: Ithamara Koorax vai se apresentar nesta sexta e sábado, no Bar do Tom, às 22h. Vai lá que vale a pena (e muito)! ...globosat.globo.com/gnt/fashionrio/materia.asp?id=118&m=Ithamara-Koorax-dá-canja-exclusiva-para-GNT... - 21 horas atrás - Páginas Semelhantes

Sunday, January 11, 2009

Ithamara Koorax brilha em show no Rio - "JB"

Ithamara Koorax brilha em show no Rio
Ministro Carlos Minc bate o ponto no belíssimo show da 'jazzwoman' brasileira, no Bar do Tom
http://jbonline.terra.com.br/nextra/2009/01/11/e110118779.asp

Ithamara Koorax brilha em noite que teve Carlos Minc na platéia
Coluna Anna Ramalho, JB Online
14:53 - 11/01/2009

RIO - O ministro Carlos Minc – de colete beige com florzinhas – levou seu próprio fotógrafo para o belíssimo e entupido show de Ithamara Koorax, sábado, no Bar do Tom. Sua Excelência circulou, conversou, cumprimentou e só se aquietou para ouvir a cantora – não à toa a terceira colocada no ranking mundial da Downbeat, bíblia do mundo do jazz, atrás apenas de Diana Krall e Cassandra Wilson.

Ithamara brilhou e desfiou pérolas como I've got you under my skin, My favorite things, Un homme et une femme, noves fora O pato e Obalalá, pra lembrar o grande amigo João Gilberto.
Na platéia, outros nomes cintilantes: Giselle Fróes, que brilha em A Favorita como a Lorena, com o namorado, o maestro Fábio Fonseca; Paula Toller – sempre linda – com Lui Farias, o presidente do Detran, Fernando Avelino e a mulher, Tiane, Anna Maria Tornaghi, entre muitos outros.
No bongô, no meio de feras como o maestro José Roberto Bertrami e o baterista Haroldo Jobim, Paulo Fernando Marcondes Ferraz, o gentleman da melhor sociedade carioca, que arrasa na percussão.

Saturday, January 10, 2009

Ithamara Koorax - "Caras"

Revista "CARAS"
Edição 792, Ano 16, Nº 02
9 de janeiro de 2009
JAZZ BRASILEIRO DA CANTORA ITHAMARA KOORAX
ACLAMADA NOS EUA, ELA INICIA NO RIO A TURNÊ PELO PAÍS

Uma das três melhores cantoras de jazz em 2008 pela revista DownBeat, Ithamara Koorax (43) se apresentou no Mistura Fina, Rio, com os músicos Haroldo Jobim (60), José Roberto Bertrami (62), Paulo Marcondes Ferraz (70), Jorge Pescara (42) e Rodrigo Lima (33). Ela iniciou a série de shows Brazilian Butterfly Tour 2009, que resultará em um CD. "Sempre dá um frio na barriga voltar para casa", disse ela.
Fotos: Sheila Guimarães

Koorax @ Bar do Tom - "Ziriguidum" review

http://www2.uol.com.br/ziriguidum/fotos/090109-01.htm

Ithamara Koorax
Show no Bar do Tom em 09/01/2009
"Ziriguidum" website, dia 10/01/2009
Review by Beto Feitosa
Photos by Alexandre Moreira
Na temporada 2009 de sua turnê brasileira, Ithamara Koorax testa repertório para o próximo CD. Em apresentações no Mistura Fina e no Bar do Tom (Rio), a cantora abre o diálogo com o público e pede opiniões. Entre as novidades que apresenta, destaque para uma apimentada versão de O pato. A bossa nova volta em uma forte interpretação de O-ba-la-la e, no bis, em uma mais comportada e tradicional Garota de Ipanema, em versão bilíngue.

Além de clássicos brasileiros, Ithamara mostra uma vigorosa versão para Tamborim, cuíca, ganzá, berimbau sucesso do Azymuth, dos melhores momentos do show. Entre repertório internacional, clássicos como My favorite things e releituras pessoais para Got to be real e Never can say goodbye.

Durante cerca de uma hora e meia, Ithamara mostra ao público carioca o que vem há anos apresentando em turnês pelo Japão, EUA e Europa. Afinação perfeita, aliando técnica e emoção, Ithamara é cantora que fala a lingua dos músicos. Seus solos vocais são virtuosos e emocionantes. Sustentando agudos perfeitos, Ithamara recebe entusiasmados aplausos em cena aberta.

Toda força é recompensada. Ao final do bis, Ithamara desce do palco e celebra os últimos versos entre as mesas do Bar do Tom.

Depois do Rio, Ithamara segue para Curitiba e São Paulo. Em fevereiro volta ao Japão para dois concertos com a New Tokyo Philharmonic, e mais dois shows na Coréia. Em fins de março Ithamara inicia nova turnê pela Europa.



Koorax @ Bar do Tom - "Jornal do Brasil/Caderno B"

"Jornal do Brasil"
Sábado, 10 de janeiro de 2009
"Caderno B" - Pág. B7

Programação
SHOWS
ITHAMARA KOORAX - No espetáculo "Bossa-Jazz 2009", a cantora interpreta músicas dos dois estilos. Mas no roteiro cabem até temas de soul music. Bar do Tom, Rua Adalberto Ferreira 32, Leblon. Sáb. às 22h. 18 anos. Cap.: 350 pessoas

Koorax @ Bar do Tom - "O Globo"

Jornal "O Globo"
Sábado, 10 de janeiro de 2009
"Segundo Caderno" - Pág. 7
"Rio Show"

SHOW
ITHAMARA KOORAX - A cantora dá o pontapé inicial da Brazilian Butterfly Tour 2009. No repertório, standards como "My Favorite Things" e até clássicos da discoteca como "Got To Be Real" em arranjos jazzísticos.
Bar do Tom: Rua Adalberto Ferreira 32, Leblon. Sáb. às 22h. R$40 (setores par e ímpar), R$50 (setor A) e R$60 (setor palco). Até 17 de janeiro.

Thursday, January 8, 2009

Ithamara Koorax interview for "JazzMan!" blog

Entrevista Exclusiva: Ithamara Koorax
Por Leonardo Alcântara (JazzMan!) Fotos: Fernanda Melonio ... Show no Mistura Fina ...www.jazzmanbrasil.com/2009/01/entrevista-exclusiva-ithamara-koorax.html - 183k -
http://www.jazzmanbrasil.com/2009/01/entrevista-exclusiva-ithamara-koorax.html

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
Entrevista Exclusiva: Ithamara Koorax

(Ithamara Koorax e JazzMan! Foto: Fernanda Melonio)

Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)
Fotos: Fernanda Melonio

Eleita pela Revista DownBeat como a terceira melhor cantora de Jazz do mundo em 2008, a brasileira Ithamara Koorax é um dos nomes mais importantes da atual cena jazzística mundial. Sua criatividade, aliada a uma técnica vocal ímpar, faz com que Ithamara seja reconhecida no exterior, rendendo-lhe críticas positivas, prêmios e convites para cantar nos mais importantes palcos e festivais espalhados pelo mundo.

Show no Mistura Fina

Na semana passada, a fotojornalista Fernanda Melonio e eu tivemos a oportunidade de prestigiar os primeiros shows de sua turnê brasileira, no Mistura Fina, em Ipanema. Acompanhada de uma super banda que mesclava novos músicos (Jorge Pescara (baixo) e Rodrigo Lima (guitarra)) e veteranos influentes (José Roberto Bertrami (teclados), Haroldo Jobim (bateria) e Paulo Fernando Marcondes Ferraz (percussão)), Ithamara impressionou um Mistura Fina lotado com sua potente técnica vocal e sua comovente interpretação para um repertório diversificado. Seja cantando clássicos brasileiros (Desafinado e O Pato), ou standards americanos (My Favorite Things e The Shadow of Your Smile), Ithamara entrava e saía muito bem nas mais variadas vertentes, mostrando ao público a característica principal de sua obra: a versatilidade. Simpática e atenciosa com uma platéia calorosa, Ithamara deixou sua marca, provando que a escolha da revista DownBeat não é mero acontecimento, mas a confirmação e o reconhecimento a uma cantora em puro momento de inspiração e criatividade.

Fotos do show:
Ithamara Koorax on Flickr - Photo Sharing!
Texto: Leonardo Alcântara (JazzMan! ... Ithamara Koorax by Fernanda Melonio. Eleita pela Revista DownBeat como a 3ª melhor .... Fotos pelo Brasil (Pool) ...www.flickr.com/photos/brownreddish/3179367915/ - 124k - Em cache - Páginas Semelhantes


Brazilian Butterfly Tour 2009

Ithamara Koorax dará seguimento à sua turnê brasileira, no Bar do Tom, Leblon, durante os dias 9, 10, 16 e 17 de janeiro. A casa dispõe de 350 lugares e os preços são: R$ 60,00 (Setor Palco / 92 lugares; R$ 50,00 (Setor A / 52 lugares); R$ 40,00 (Setor Par / 118 lugares) e R$ 40,00 (Setor Par / 92 lugares). Detalhes: http://www.plataforma.com/br_tprog.htm

Depois, a turnê segue para Curitiba, Belém, São Paulo, Ásia e Europa. Antes disso, Ithamara generosamente nos concedeu uma bela entrevista, onde comenta sobre os pontos principais de sua carreira.

JazzMan!: Você acaba de ser eleita a 3ª melhor cantora de jazz do mundo pela revista DownBeat. Mas sua obra é marcada pela diversidade: seu repertório pode agradar tanto aos fãs de Jazz, quanto aos de Lounge/Eletrônico, Smooth Jazz, Bossa, Samba e outros. Como você lida com o rótulo de cantora de Jazz e como define seu trabalho?

Ithamara Koorax: Lido bem com este rótulo e com qualquer outro, porque eu não me importo com rótulos. Defino meu trabalho como "música universal", aberta a todas as influências. Meus detratores (brasileiros, claro) dizem que eu me auto-rotulei como cantora de jazz, mas isso jamais aconteceu. Este carimbo veio primeiro da crítica japonesa, quando lancei o "Rio Vermelho" em 1995 e o disco chegou ao 10º lugar em vendas na parada de jazz da revista "Swing Journal", com o Frank Sinatra em 11º. E se consolidou depois que o "Serenade in Blue" foi lançado no mercado americano em 2000.
De qualquer modo, ser rotulada como "jazz singer" pela comunidade jazzística internacional é, obviamente, um grande elogio. Me sinto lisonjeada quando sou reconhecida não apenas pelos leitores das revistas, mas também por críticos como Ira Gitler, Scott Yanow, Thom Jurek, Fred Bouchard e Frank-John Hadley. Aliás, não coincidentemente, eles são mais do que críticos, são considerados os cinco maiores historiadores de jazz na atualidade, escreveram livros importantes. E todos, exceto o Jurek, que é editor do All Music Guide, escrevem para a DownBeat. Ira Gitler é co-autor, ao lado do falecido Leonard Feather, da famosa série de "Enciclopédias do Jazz" que são a referência máxima no assunto e se apaixonou pelo meu trabalho em 2002, tanto que aceitou escrever o texto do livreto do CD "Love Dance". Yanow acaba de lançar o livro "The Jazz Singers: The Ultimate Guide", no qual me incluiu entre as melhores cantoras de jazz de todos os tempos, tendo deixado de fora nomes como Norah Jones, Joni Mitchell, Esther Phillips, Madeleine Peyroux e a espetacular Rachelle Ferrell. Não vou entrar numa ego-trip por causa disso, mas é claro que fico feliz.

JM: Alguns audioblogs disponibilizam seus cds para download de graça. Em um deles, o “Música da Boa”, há vários álbuns de sua discografia para baixar. Uma das postagens corresponde ao download do álbum Brazilian Butterfly (2006), onde você deixou uma mensagem de parabéns para o autor do blog e não se incomodou. Enquanto cantora, como você avalia o compartilhamento de suas músicas na internet: ajuda ou atrapalha?

IK: Eu acho que ajuda. A pessoa que gostar mesmo tende a comprar o disco ou pelo menos a ir ver algum show. Mas fico preocupada com o lance dos direitos autorais, porque os compositores não podem viver de brisa.

JM: Em julho de 2003 você teve a oportunidade de se apresentar no programa de Fausto Silva, na Rede Globo. Muitos criticam o programa e o rotulam de "povão" por mostrar atrações de forte apelo popular, mas sua apresentação mostrou um outro lado: você manteve o Ibope do programa crescente cantando músicas como "Cristal", "Mas Que Nada", "The Shadow of Your Smile", além de improvisar para uma platéia calorosa e impressionada por sua potência vocal. Você acredita que isso é uma prova de que esse papo de que o povo não quer ouvir coisas diferentes é mito e que o problema está na difusão e não nas pessoas?

IK: Claro que é isso! Você já explicou tudo! Eu fui convidada para cantar no Faustão logo depois de ter assinado com a Som Livre para lançar o "Love Dance" no Brasil em 2003. Pediram que eu preparasse duas músicas ("Cristal" e "Iluminada", por terem sido temas de novelas) e disseram que havia a possibilidade de uma terceira música, "Aquarela do Brasil", porque o Fausto tinha gostado da minha gravação e queria aproveitar para fazer uma homenagem ao Ary Barroso. Mas esta terceira música só aconteceria se o Ibope não caísse. Pois bem: não só o Ibope não caiu, como subiu e não parou de subir. Fiquei no ar por quase 20 minutos e o programa se manteve como líder de audiência o tempo todo, batendo o Gugu, que era o grande concorrente naquela época. Tudo inteiramente ao vivo e sem ensaio! E sem playback. Levei minha banda e tocamos o que o Faustão ia pedindo.
Teve uma hora em que, depois do Caçulinha me elogiar, o Fausto começou a dizer: "olha só o agudo dela, parece sintetizador". E pediu para que eu improvisasse alguns efeitos a capela. Ele disse literalmente: "se vira nos 30"! Eu me diverti muito naquela tarde, o CD "Serenade in Blue" esgotou no Brasil todo (o "Love Dance" ainda não tinha sido lançado), e depois do programa a direção da Globo me homenageou com um jantar.
A parte chata da história foi que minha presença no programa gerou muita inveja, recebi quase uma centena de e-mails desaforados (enviados, claro, pelos "anônimos" sempre covardes) e muitos comentários negativos foram postados na internet. Precisei até tomar providências jurídicas quando os insultos atingiram o nível de difamação. Teve um músico de São Paulo, que a perícia conseguiu identificar, que me mandou um e-mail como se fosse o Jorge Benjor, usando o endereço de e-mail dele. Na mensagem ele me acusava de ter assassinado o "Mas Que Nada" e pedia que eu nunca mais cantasse a música. Veja a que ponto a coisa chegou! Isso eu acho lamentável e tristíssimo, porque alguém que se pretende artista ficar falando mal de colega de trabalho na internet é o fim da picada.
Outro dia eu li, num blog horroroso, que eu só era conhecida nos Estados Unidos pelos "japoneses endinheirados" (!!!) e que só fazia shows em cruzeiros. Logo eu que nunca cantei em navio! E se cantasse também não teria nada demais, porque até o Herbie Hancock e o Marcus Miller tocam em cruzeiros. Não sei de onde as pessoas tiram essas idéias malucas, completamente sem fundamento.

JM: Na lista das melhores cantoras do mundo da revista Downbeat, elaborada por seus leitores, você figura logo atrás de Dianna Krall e Cassandra Wilson. As duas são da geração dos Young Lions, composta por músicos surgidos nos anos 80 e 90 com a proposta de valorizar as tradições jazzísticas e que custa a absorver inovações. Mas trabalhos como Love Dance e Brazilian Butterfly são totalmente diferentes dessa proposta. Como você conseguiu vencer nesse mercado?

IK: Justamente por conta da tal "imprevisibilidade", que também significa criatividade. Paradoxalmente, demorei muito mais a entrar no mercado americano pela mesma razão, pois é um mercado realmente mais "protecionista".
A mesma coisa aconteceu com a Flora Purim. Ela morava nos EUA desde 1968, excursionava pela Europa com o Stan Getz, tinha gravado em Londres com o Chick Corea ("Light As A Feather"), mas só despontou na cena jazzística americana em 1974, quando chegou ao primeiro lugar na eleição dos leitores da DownBeat ao lançar um disco nos EUA, o "Butterfly Dreams". Ela venceu por cinco anos seguidos, até 1978, numa época em que as grandes divas, como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Carmen McRae e Betty Carter, ainda estavam vivas e cantando uma barbaridade. Mas a Flora chegou com uma sonoridade inovadora, totalmente diferente daquele scat-singing de bebop, e foi isso que chamou a atenção.
Entre 1990 e 2000, eu só atuava na Ásia e na Europa, onde também estabeleci um nome na área da dance-music. Mas apenas ao lançar o "Serenade in Blue" nos EUA, em 2000, foi que as portas do mercado americano começaram a se abrir. Mesmo assim, é claro que a popularidade da Diana Krall, a quem eu admiro muito, é mil vezes maior que a minha e da Cassandra, porque ela virou uma "celebridade" também fora do mundo do jazz. Até um espirro dela vira notícia, a vida pessoal dela tornou-se de interesse público.

JM: A exemplo de Flora Purim e Tânia Maria, você saiu do Brasil para fazer a sua carreira, conquistando o mercado americano, europeu e japonês, sendo muito elogiada por público e crítica e colhendo prêmios por seus trabalhos. Mas no Brasil muitos não sabem disso. Suas músicas já foram trilhas de novelas e filmes aqui, mas raramente são executadas nas rádios, mesmo tendo em seu repertório músicas que podem ser radiofônicas. De alguma maneira isso a incomoda? Conquistar o mercado brasileiro é um de seus desafios?

IK: Várias vezes eu tive, no Brasil, a sensação de ser "invisível". Mas não é culpa minha nem do público, que lota todos os meus shows se souber que aquele show está acontecendo. A superlotação que você viu duas noites seguidas no Mistura Fina não é novidade alguma. Eu canto no Mistura desde 1990, meu primeiro ano de carreira profissional. E todas as temporadas são um sucesso de público. Sempre rolam os pedidos de shows extras e eu já fiquei até três semanas em cartaz. Este ano isso só não vai acontecer no Mistura porque eu já tinha me comprometido em levar o show para o Bar do Tom.
Você é testemunha ocular da forma calorosa como a platéia me trata, interage, canta junto. Eu AMO fazer shows, Principalmente no Brasil. Em 2005, eu fiz uma temporada de três meses no Sofitel. Em 2006, foram quatro meses seguidos de casa lotada! Só que nem sempre a imprensa noticia isso. Mas eu costumo viajar bastante pelo Brasil. Vou de Rio Branco (Acre) a Ipatinga (Minas Gerais), de Teresina (Piauí) a Sorocaba (São Paulo), sempre com casa cheia. Eu sou um fenômeno! (rssss)
Meu desafio não é conquistar nada, é apenas levar o meu canto ao maior número possível de lugares, no mundo todo. E o Brasil faz parte do mundo. Como eu mantenho sempre o mesmo padrão de qualidade, sempre dou ao público o melhor de mim, tenho o mesmo prazer em cantar em Zurique ou em Nova Iorque ou em Belém
do Pará.

JM: Você já cantou e gravou com grandes gênios da música. Podemos citar verdadeiros inovadores como Tom Jobim, Claus Ogerman, Dom Um Romão, Elizeth Cardoso, John McLaughlin e muitos outros. De onde vem essa facilidade de tocar com tantos nomes de peso? Ainda há alguém com quem você queira fazer uma parceria?

IK: Todos esses encontros aconteceram naturalmente. Quando você ama muito a obra de um artista, estabelece-se uma conexão espiritual e um dia o encontro físico se realiza.
Eu ouvia Elizeth Cardoso desde a minha infância, foi a minha primeira cantora favorita porque meus pais tinham vários discos dela. Um dia eu fui a São Paulo fazer um show, com Guinga e Paulo Cesar Pinheiro, e quem estava na platéia? Elizeth! Até aí tudo bem, ela podia nem ter gostado do meu estilo. Mas no final do show ela pediu para subir ao palco e ficou uns cinco minutos me elogiando. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo! Depois eu a convidei para assistir um outro show no Rio e ela virou minha madrinha artística.
O Tom Jobim ouviu meu primeiro CD, "Ao Vivo", vencedor do Prêmio Sharp em 1994, porque ganhou um exemplar de presente da irmã dele. O disco tinha umas três ou quatro músicas do Tom e ele gostou tanto que um dia me ligou e falou: "Do próximo disco eu quero participar". Achei que ele tinha sido gentil ao falar aquilo, mas resolvi arriscar e o convidei quando comecei a fazer o "Rio Vermelho". Ele aceitou de imediato e gravamos algumas músicas em outubro de 1994. Somente uma entrou no disco, as outras gravações permancem inéditas. Mas uma das músicas era "Absolut Lee", que eu regravei depois para a trilha da novela "Celebridade" em 2003.
Dom Um eu conheci em 1991, em Nova Iorque, e depois nos reencontramos em 1996, quando ele foi assistir a um show meu com o Azymuth. No final, foi até a beira do palco me cumprimentar, beijou as minhas mãos e disse: "precisamos fazer um som juntos!" Tenho isso filmado! E tocamos pelo mundo todo até 2005. O McLaughlin e o Ron Carter eu conheci através do Luiz Bonfá, que foi meu vizinho na Barra da Tijuca por dez anos. Ele foi um pai musical para mim.
Com o Claus, o Sadao Watanabe e o Larry Coryell também fluiu de uma forma espontânea. Talvez a única exceção tenha sido o Jay Berliner, que foi guitarrista do Charles Mingus. Eu sempre fui apaixonada por discos dele com o Milt Jackson ("Sunflower") e com o George Benson ("White Rabbit"), e resolvi convida-lo para participar do "Serenade in Blue". Ele não sabia quem eu era, mas gostou dos discos que eu mandei e aceitou gravar. Também não posso deixar de falar do Dave Brubeck, que é um grande amigo e me apadrinhou na comunidade jazzística americana porque é muito influente. Além de gênio, é o gentleman dos gentlemen. Tocar e conviver com esses mestres é mais importante do que qualquer prêmio.


JM: No seu show, fiquei muito comovido com a maneira que você se entrega no palco. Estavas tão simpática, bonita, elegante... Se expressava das mais diversas formas, seja triste ou alegre, como se ali não estivesse apenas uma Ithamara. Quem é a Ithamara Koorax no palco? Quem são essas Ithamaras que há dentro de você quando está cantando?

IK: É a mesma Ithamara Koorax do dia-a-dia, sujeita a diferentes emoções e que se expressa de várias maneiras, mas é sempre a mesma pessoa, dentro ou fora do palco. Durante o dia tem momentos em que você está reflexiva, em outros mais agitada, em outros mais emocionada ou com a sensualidade mais aflorada. Tudo isso vai automaticamente para o palco na hora do show. Eu não controlo nem disfarço minhas emoções. Uma vez, durante um show em Seul, na Coréia, em 2006, o público me acolheu de uma forma tão carinhosa, rolou uma empatia tão grande, que eu e a platéia choramos juntos, e terminei o show aos prantos, de tanta felicidade. Num concerto com a Orquestra Jazz Sinfônica, em São Paulo, em 2005, eu também não segurei o choro quando dediquei "Mas Que Nada" ao Dom Um Romão, que tinha acabado de falecer. Parecia que ele estava ao meu lado no palco, cantei arrepiada o tempo inteiro. Este vídeo alguém até colocou no YouTube. Em dezembro último, o concerto em Nova Iorque ao lado da big-band Amazon, do Maestro Thiago de Mello, celebrando os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, também foi emoção pura.

JM: Para finalizar: você teve um ano maravilhoso em 2008 e estará gravando um novo álbum em abril. Pode adiantar alguma coisa de como será 2009?

IK: Eu tento me planejar o mínimo possível, gosto das coisas fluindo naturalmente. Tanto que, embora eu esteja com dois discos recém-lançados (os tributos a Dom Um Romão e Stellinha Egg), os shows no Mistura Fina não tiveram nenhuma ligação com eles. Bolei um show totalmente diferente, incluindo apenas quatro músicas de discos antigos, como "The Shadow of Your Smile", "Un Homme et Une Femme", "I Fall in Love Too Easily" e "Mas Que Nada", e temas que eu adoro mas que ainda não gravei.
O repertório do próximo disco será escolhido pelo público brasileiro, durante esta turnê. As pessoas recebem uma cartela e escolhem cinco músicas que gostariam que eu gravasse.
Depois dos shows no Rio, sigo para Curitiba, Belém e São Paulo. Depois, Ásia e Europa. Volto no final de abril para gravar o disco no Brasil e aí começo um novo ciclo. Tenho encomendas de músicas para outros artistas e para trilhas de filmes. O prazer de poder me reinventar, sem depender da autorização de gravadora ou permissão de empresário, é indescritível. A liberdade é o maior tesouro!


: Entrevistas, Ithamara Koorax, Notícias, Shows
12 comentários



Nanda Melonio disse...
Bela matéria. As respostas de Ithamara estão tão deliciosas quanto sua voz e seus shows... Parabéns a você e a ela!

8 de Janeiro de 2009 16:21
Daniel Argentino disse...
legal a entrevista, apesar de não conhecer direito o som da Ithamara ainda. Maneira a forma dela pensar sobre mp3, afinal acho que é isso mesmo, quem não conhece nunca vai comprar CD e sim baixar, quem vira fã, vai comprar CD/DVD e na oportunidade que pintar vai pagar o que for preciso para ir no show.
Eu penso dessa forma também, conheci muito artista pela internet e compro DVD quando consigo e sonho ir em alguns shows de alguns dos meus musicos favoritos.
Abraço

8 de Janeiro de 2009 18:49
John Lester disse...
Prezado Vagner, parabéns pela entrevista e pelas informações relevantes.
Grande abraço, JL.

9 de Janeiro de 2009 23:50
Taxonomista disse...
Obrigado "JazzMan" por mais um texto fenomenal. Esta entrevista é de facto sensacional. Quando é que essa Senhora dará a honra a Portugal de a ouvir ao vivo? Morro de ansiedade por esse momento.
Obrigado uma vez mais

10 de Janeiro de 2009 11:09
Regina disse...
Parabéns pela entrevista.
Foi uma chance a mais para conhecermos melhor esta cantora incrível!
Abraço,
Regina Muller

10 de Janeiro de 2009 20:48
Cristina disse...
A entrevista está bastante boa. Não conheço bem o trabalho da cantora Ithamara, mas gostei muito de ler tudo. Em relação à questão da partilha dos trabalhos dos artistas em mp3 pela net, percebo o que Ithamara quis dizer. Por um lado, é bom, porque é uma maneira de ampliar a divulgação, mas há o problema dos direitos de autor... É meio complicado. Apesar de tudo, eu continuo a preferir adquirir os cd's, tal como prefiro adquirir os livros. Tem a ver também com o trabalho dos artistas.
Continuas de parabéns, Jazzman!
E a fotografia está muito gira!
Beijos.
Cristina Loureiro dos Santos

10 de Janeiro de 2009 20:48
Ithamara Koorax disse...
Agradeço ao JazzMan pelo espaço e a todos pelo interesse. Tenho recebido dezenas de emails de pessoas que leram a entrevista, o que comprova a popularidade do blog e o excelente trabalho desenvolvido por Leonardo e Nanda (amei as fotos!).
Sobre Portugal, tive a oportunidade de atuar na noite de encerramento do Funchal Jazz Festival, na paradisíaca Ilha da Madeira, em 2007. Fui com meu grupo brasileiro e dividi a noite com meu amigo Joe Lovano, Dave Douglas e o San Francisco Jazz Collective. Espero me apresentar em breve em outras cidades como Lisboa, onde estive apenas de passagem.
Sobre a turnê brasileira: os shows dias 9 e 10 no Bar do Tom também foram superlotados. Retornarei dias 16 e 17 ao mesmo bat-local, antes de seguir para Curitiba, Belém, Ásia, São Paulo e Europa.
Abraços a todos e novamente obrigada pelo carinho.

11 de Janeiro de 2009 10:28
JazzMan! disse...
Amigos, obrigado pelos elogios. eu me sinto muito feliz e vocês me ajudam nesse processo. Entrevistar a Ithamara é uma conquista de todos nós, pois estamos aqui pelos mesmos propósitos. Itahamara, você é show!! Obrigado por tudo!

11 de Janeiro de 2009 20:11
Nanda Melonio disse...
Obrigada, Ithamara! Foi um prazer te conhecer. Beijos!

12 de Janeiro de 2009 16:26
MARCOS disse...
Desde a primeira vez em que eu tive o privilégio de ouvir e ver a fenomenal Ithamara, não parei de prestigiá-la e, desde então, repito,cumprimentando-a, ao final de suas brilhantes apresentações, e quase em estado de graça: Você é a melhor cantora do mundo, que conheço, incluindo o passado, o presente e, quiçá, o futuro?!Fico mesmo pasmado e boquiaberto e feliz com o talento, excelente potencial e deliciosa sonoridade da sua imbatível e transatlântica voz...parece ter Deus na garganta. Aliás já ofereci-lhe girassóis e um cartão de agradecimento pelos momentos marcantes, prazenteiros e artísticos que ela generosamente me proporciona. Que Deus continue protegendo e iluminando "kooraxmente" esta fenomenal preciosidade artística do Brasil.
Marcos Lúcio

13 de Janeiro de 2009 12:02
Fulano Sicrano disse...
Muuuuuiiiiiiiito bom! Adorei a entrevista e as opiniões. Parabéns! Abraços.

16 de Janeiro de 2009 09:19
Daniel Genovez disse...
A Ithamara emociona a todos com sua música e surpreende sempre, há anos... Sou fã de carteirinha, tenho todos os discos, inclusive uma gravação rara com o Dom Romão, já fui a dezenas de shows dela e nunca vi um show da Ithamara que fosse repetitivo; ela se doa de uma forma tão intensa ao seu público que seu som é ao mesmo tempo diferente e eternamente doce aos ouvidos e ao coração.

Wednesday, January 7, 2009

Koorax & Giulia Gam - "O Globo"

Jornal "O Globo"
7 de Janeiro de 2009
"Segundo Caderno" - Página 8
Coluna "Controle Remoto" de Patrícia Kogut

ITHAMARA KOORAX com Guilia Gam
, a Rosana de "A Favorita". Giulia é fã da cantora. (Foto: Marco Rodrigues)

Koorax & Fabiano Canosa @ Mistura Fina - "JB"

"Jornal do Brasil"
Quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Caderno "Cidade" - Pág. A12
Coluna "Anna Ramalho"
É O SUCESSO - O cineasta Fabiano Canosa e Ithamara Koorax no show da cantora, que movimentou o Mistura Fina. (Foto: Marco Rodrigues)

Tuesday, January 6, 2009

Koorax @ Mistura Fina & Bar do Tom - "Jornal do Brasil"

"Jornal do Brasil"
6 de janeiro de 2009
Caderno "Cidade", pág. A13
Coluna "Anna Ramalho"

Lotação esgotada

Ithamara Koorax bateu seu próprio recorde de público no Mistura Fina, com casa superlotada em todas as sessões. No sábado, os ingressos para um show extra se esgotaram em 20 minutos. Só não aconteceu mais uma apresentação no domingo porque a cantora tinha um evento inadiável em Angra dos Reis, na Ilha de Caras. Estiveram no Mistura, entre outros, Giulia Gam, Mara MacDowell, Nildo Parente, Mariza de Aquino, Scarlet Moon, Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça. Ithamara leva agora o show para o Bar do Tom, no próximo final de semana.

Monday, January 5, 2009

Koorax, Rosamaria Murtinho & Mauro Mendonça - "O Globo"

Jornal "O Globo"
5 de Janeiro de 2009
Coluna "Ancelmo Gois"

A cantora Ithamara Koorax recebe o carinho do casal de atores Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça nos bastidores de seu show no Mistura Fina, no Rio.

Saturday, January 3, 2009

Ithamara Ao Vivo - "O Globo"

Jornal "O Globo"
Sábado, 3 de janeiro de 2009
"Segundo Caderno" - Página 2

ITHAMARA AO VIVO
A cantora Ithamara Koorax faz show hoje no Mistura Fina, às 21h30m, com ingressos de R$40 a R$60. O evento marca o começo da "Brazilian Buttetfly Tour 2009". Em clima de interatividade, o público pode escolher, por votação, cinco canções que farão parte do próximo CD de Ithamara, cuja gravação será em abril. O show traz standards como "My Favorite Things" e "Bye Bye Blackbird".

Ithamara Koorax no Mistura Fina - "JazzMan!"

Ithamara Koorax dias 02 e 03 de janeiro no Mistura Fina - RJ
Por Leonardo Alcântara (JazzMan!) Foto: divulgação. Em turnê pelo país, a cantora carioca Ithamara Koorax desembarca na sua cidade natal para apresentar ao ...www.jazzmanbrasil.com/2009/01/ithamara-koorax-dias-02-e-03-de-janeiro.html - 153k -
http://www.jazzmanbrasil.com/2009/01/ithamara-koorax-dias-02-e-03-de-janeiro.html

Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
Ithamara Koorax dias 02 e 03 de janeiro no Mistura Fina - RJ
Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)
Foto: divulgação
******
Em turnê pelo país, a cantora carioca Ithamara Koorax desembarca na sua cidade natal para apresentar ao público carioca o seu show que faz parte de sua Brazilian Butterfly Tour 2009.

O show será baseado no seu último cd, Brazilian Butterfly, onde Koorax interpreta canções de grandes compositores, como Caymmi (O Vento), Milton Nascimento (Caxangá) e Herbie Hancock (Butterfly). Além das músicas do novo cd, o público poderá interagir com a cantora, escolhendo cinco canções que farão parte de seu próximo cd, que será gravado em abril. A banda será formada pelos músicos José Roberto Bertrami (teclados), Jorge Pescara (baixo), Haroldo Jobim (bateria), Rodrigo Lima (guitarra), Paulo Fernando Marcondes Ferraz (percussão) e Marcos Ozzellin (vocais).

2008 foi um ano de glórias e reconhecimento para Ithamara Koorax. Sucesso de público e crítica, a cantora foi eleita uma das três melhores cantoras de jazz do mundo pelos leitores das revistas DownBeat, Swing Journal e Jazz People. No último 10 de dezembro, durante a sua turnê pelos EUA, Ithamara Koorax cantou na New York University com a big band Amazon, em show organizado pela ONU, nas comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Todo esse reconhecimento do exterior pela brasileira vem de pessoas que admiram o seu repertório diversificado, seu espírito aventureiro, e seu talento notável que faz dela uma das melhores cantoras de jazz do mundo.

Serviço:
De 02/01 a 03/01 - Sex e Sab
Horário: às 21h30
Preço: de R$40,00 a R$60,00

Mistura Fina
Av. Rainha Elizabeth - 769
Ipanema
Fone: 2523-1703

Koorax @ Mistura Fina - "Jornal do Brasil/Caderno B"

"Jornal do Brasil"
Sábado, 3 de janeiro de 2009
"Caderno B" - Pág. B7
Programação - SHOW

ITHAMARA KOORAX - Considerada uma das melhores intérpretes de jazz pelo público e crítica americana, a cantora faz show com clássicos do gênero. Mistura Fina. Av. Rainha Elizabeth, 769, Ipanema, Sáb. às 21h30. R$40 (setor C), R$50 (setor B) e R$60 (setor A). 18 anos.

Koorax @ Mistura Fina - "O Globo / Rio Show"

Jornal "O Globo"
Sábado, 3 de janeiro de 2009
"Segundo Caderno" - Pág. 5
Seção "Rio Show"

SHOW
> Ithamara Koorax.
Ithamara dá o pontapé inicial da "Brazilian butterfly tour 2009". No repertório, clássicos como "My favorite things", "Got to be real" e "I get a kick out of you".
Mistura Fina: Av. Rainha Elizabeth 769, Arpoador - Sáb, às 19h e 21h30m. R$40 (setor C), R$50 (setor B) e R$60 (setor A). Não recomendado para menores de 18 anos.

Koorax @ Mistura Fina - "O Fluminense"

Jornal "O Fluminense"
Roteiro - 03/01/2009

Para o público participar

Após ótimo show ontem, a cantora niteroiense Ithamara Koorax volta hoje, às 21h30, ao palco do Mistura Fina, em Ipanema. A artista, eleita uma das três melhores interpretes de jazz do mundo pelos leitores das revistas DownBeat, Swing Journal e Jazz People, apresenta show que faz parte de sua Brazilian Butterfly Tour 2009.

O show apresenta um clima de interatividade já que o público pode votar e escolher cinco canções, que farão parte do próximo CD de Ithamara, que será gravado em abril.
A banda que a acompanha é formada pelos músicos José Roberto Bertrami (teclados), Jorge Pescara (baixo), Haroldo Jobim (bateria), Rodrigo Lima (guitarra), Paulo Fernando Marcondes Ferraz (percussão) e Marcos Ozzellin (vocais).

Logo em seu primeiro ano de carreira profissional, Ithamara recebeu no Brasil o prêmio de Cantora Revelação de 1990, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. A niteroiense também estreou com o pé direito em seu primeiro disco, chamado Ithamara Koorax Ao Vivo, recebeu o Prêmio Sharp de Cantora Revelação de MPB, em 1994, que projetaram seu nome.

O Mistura Fina fica na Avenida Rainha Elizabeth, 769, Ipanema, Rio. Ingressos a partir de R$ 40. Outras informações podem ser obtidas através do telefone 2523-1703.

A diva Ithamara Koorax no Mistura Fina - "JB"

JB Online :: Leia JB - Anna Ramalho - Raspadinhas
A diva Ithamara Koorax se apresenta hoje no Mistura Fina. É show imperdível. Mary e Haroldo Costa reúnem ... Sábado, 03 de Janeiro de 2009 - 02:00. publicidade.jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2009/01/03/rio/anna_ramalho_raspadinhas.html - 8k - Em cache - Páginas Semelhantes

Jornal do Brasil - Rio - Pág. 13
Coluna "Anna Ramalho" - 3 de Janeiro de 2009


A diva Ithamara Koorax se apresenta hoje no Mistura Fina. É show imperdível.

Friday, January 2, 2009

Ithamara Koorax canta no Rio - "Caras"

AGENDA: Ithamara Koorax canta no RJ - Notícias - Portal CARAS
Ithamara Koorax. A cantora carioca, revelação da MPB em 1994, ... Ithamara Koorax Ao Vivo, irá se apresentar hoje e sábado, 3, no Mistura Fina, em Ipanema, ...www.caras.com.br/secoes/noticias/noticias/10403/ - 14k - Em cache - Páginas Semelhantes
02/01/2009 - 14h34 http://www.caras.com.br/secoes/noticias/noticias/10403/


AGENDA: Ithamara Koorax canta no RJ

A cantora carioca, revelação da MPB em 1994, com o lançamento de seu primeiro álbum, Ithamara Koorax Ao Vivo, irá se apresentar hoje e sábado, 3, no Mistura Fina, em Ipanema, às 21h30, com o show Brazilian Butterfly Tour 2009, que acaba de voltar dos Estados Unidos. Ao lado de sua banda, formada por José Roberto Bertrami, teclados, Jorge Pescara, baixo, Haroldo Jobim, bateria, Rodrigo Lima, guitarra, Paulo Fernando Marcondes Ferraz, percussão, e Marcos Ozzellin, vocais, ela interpreta, entre outras, My Favorite Things, do musical A Noviça Rebelde, e Autumn in New York.

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Cecília Dassi quer fazer teatro em 2009

Koorax @ Mistura Fina - "O Dia"

Jornal "O Dia"
Guia Show & Lazer
De 2 a 8 de janeiro de 2009
Ano 5, Nº 220, Pág. 28

Roteiro da Semana no Rio - SHOWS
DEPOIS de uma excursão pelos Estados Unidos, Ithamara Koorax apresenta o show da Brazilian Butterfly Tour 2009 no Rio. No palco, ela interpreta a clássica "My Favorite Things", tirada do musical "A Noviça Rebelde", além de "Autumn in New York". Mistura Fina. Rua Rainha Elizabeth 769, Ipanema (2523-1703). Hoje e amanhã, às 21h30. De R$40 a R$60.

O Brasil no pódio das vozes do jazz - "O Globo"

Jornal "O Globo"
Revista "Rio Show"
Sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Índice, pág. 3
22 - Ithamara Koorax, eleita uma das três melhores cantoras de jazz do mundo, se apresenta no Mistura Fina hoje e amanhã
O Brasil no pódio das vozes do jazz
Eleita uma das maiores do mundo, Ithamara Koorax canta hoje e amanhã no Mistura Fina
(Rafael Teixeira)

Gênero consagrado nos Estados Unidos, o jazz já legou ao mundo um naipe de belas vozes femininas, a maioria, claro, de americanas, de Ella Fitzgerald a Billie Holiday, de Sarah Vaughan a Nina Simone. Consagrada lá fora, a brasileira Ithamara Koorax já vinha, há tempos, sendo incluída nesse panteão, mas, este ano, alcançou o pódio das divas do jazz em eleição da revista "DownBeat" - ficou atrás de Diana Krall, em primeiro lugar, e de Cassandra Wilson, segunda colocada. E os brasileiros podem comemorar com Ithamara, que canta hoje e amanhã no Mistura Fina.

- Embora desde 2000 seja citada entre as "dez mais" em várias revistas, nunca tinha alcançado posição tão alta. Fico feliz com este reconhecimento. Mas jamais me preocupo com prêmios - diz a cantora, que elogia as outras duas ocupantes do pódio. - Quando a Diana gravou o DVD no Rio, em novembro, eu estava lá na primeira fila. Sou fanzoca. A Cassandra é espetacular, mas em uma outra linha. Prefiro a voz da Cassandra e a estética da Diana.

Acompanhada por José Roberto Bertrami (teclados), Jorge Pescara (baixo), Haroldo Jobim (bateria), Rodrigo Lima (guitarra) e Marcos Ozzellin (vocais), a cantora aproveita os shows para montar o repertório do seu próximo disco.

- Escolhi músicas que eu nunca gravei, mas que amo cantar em casa, como "Got to be real", "Never can say goodbye" e "The windmills of your mind". O público poderá votar nas cinco favoritas, e as mais votadas entrarão no disco - conta.
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Versão integral da entrevista concedida por Ithamara Koorax, de Nova Iorque, em 12 de dezembro de 2008, ao repórter Rafael Teixeira, do jornal "O Globo".

1. Como você recebeu a notícia de que foi escolhida como uma das três maiores cantoras da jazz da atualidade?

IK: Embora desde 2000 eu seja citada entre as "10 mais" em várias revistas, como a DownBeat, Jazz People, Swing Journal e Jazz Hot, eu nunca tinha alcançado uma posição tão alta. Então fico muito feliz com este reconhecimento. Mas jamais fico preocupada com prêmios. Eles são a consequencia de muito trabalho, dos mais de 60 shows que realizei em 2008 no exterior, e da excelente acolhida dos meus 2 dois ultimos CDs ("Obrigado Dom Um Romão" e "Brazilian Butterfly") junto à crítica no mundo inteiro.

2. O que você acha do trabalho das outras duas eleitas, Diana Krall e Cassandra Wilson?

IK: Quando a Diana gravou o DVD no Rio, em novembro, eu estava lá na primeira fila. Sou fanzoca, amo os discos dela. A Cassandra também é espetacular, mas em uma outra linha. Eu diria que prefiro a voz da Cassandra mas gosto mais da estética da Diana Krall.

3. Como tantos outros artistas, como Rosa Passos, Eumir Deodato e, de certa forma, o próprio João Gilberto, você é uma cantora mais conhecida (e reconhecida) lá fora do que no Brasil, pelo menos pelo que chamamos de "grande público"... A que você atribui isso? Em algum momento, isso já te aborreceu?

IK: É uma consequência natural do tipo de música que eu canto. Optei por fazer um som universal, cantando somente o que eu amo e pago um preço alto por isso. Em março farei uma nova turnê de 20 shows pela Europa e os ingressos já estão quase todos vendidos. Este tipo de popularidade, de repercussão, infelizmente não rola no Brasil.

4. O repertório que você vai apresentar no show no Mistura é ancorado em algum disco específico? Como as músicas foram escolhidas? Alguma coisa dos seus dois últimos discos ("Obrigado Dom Um Romão" e "Tributo a Stellinha Egg") entra no show?

IK: Não, porque foram projetos específicos para o exterior. Desta vez quero me concentrar na escolha do repertório para o próximo disco. Então eu escolhi músicas que eu nunca gravei, mas que amo cantar em casa e fazem parte da minha vida. Coisas como "Got To Be Real", "Never Can Say Goodbye", "The Windmills of Your Mind" e "Can't Take My Eyes Off You". O público poderá votar nas cinco favoritas a cada noite, e depois será divulgado o resultado. As mais votadas entrarão no disco que será gravado em abril.

5. Quem faz parte da banda que se apresentará com você neste show?

IK: Meu fiel grupo brasileiro, que já viajou comigo até para a Finlândia e para a Coréia: José Roberto Bertrami (teclados), Jorge Pescara (baixo), Haroldo Jobim (bateria), Rodrigo Lima (guitarra) e Marcos Ozzellin (vocais).

Ithamara Koorax @ Mistura Fina - "O Globo/RioShow"

Jornal "O Globo"
Caderno "Rio Show"
Sexta-feira, 2 de janeiro de 2009 - Pág. 23
> Ithamara Koorax. Eleita uma das três melhores cantoras de jazz do mundo pela revista "DownBeat", ao lado de Cassandra Wilson e Diana Krall, a brasileira dá o pontapé inicial da Brazilian Butterfly Tour 2009. No repertório, clássicos como "My favorite things", "Got to be real", "The windmills of your mind" e "I get a kick out of you", entre outros.
Mistura Fina: Av. Rainha Elizabeth 768, Arpoador - Sexta e Sábado às 21h30m. R$ 40 (setor C), R$ 50 (setor B) e R$ 60 (setor A).

Ithamara Koorax "Brazilian Tour 2009" - Busdoor

Ithamara Koorax "Brazilian Tour 2009" - Outdoor

OI apresenta
ITHAMARA KOORAX
"Uma das três melhores cantoras de jazz do mundo" (DownBeat - USA)
BRAZILIAN TOUR 2009 / RIO
Dias 2 & 3 de Janeiro - "Mistura Fina"
Dias 9, 10, 16 & 17 - "Bar do Tom"