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Friday, September 7, 2007
Thursday, September 6, 2007
Deu hoje no jornal "O Globo"...
Foto publicada hoje, 6 de setembro de 2007, no jornal "O Globo" - Zona SulColuna "Abalo" de Scarlet Moon de Chevalier
"Bela trinca em recente lançamento de moda para os pés e as mãos, no Mr. Lam, junta a estilista Bianca Borges, a cantora Ithamara Koorax e a empresária Cristina Fragoso Pires" (foto de Murillo Tinoco)
Monday, September 3, 2007
Aline Natureza & Ithamara Koorax
Ithamara Koorax & Carlos Pingarilho in concert
Ithamara Koorax with Bigorna at Mistura Fina, Rio
"O jazz de uma iluminada"
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Entrevista publicada no jornal "Monitor Campista" de Campos de Goytacazes, de 16 de Agosto de 2007, Ano 174, Nº 219
chamada de primeira página:
maiscultura
Ithamara Koorax no Jazz & Blues
O 2º Imagem Jazz & Blues Festival Internacional prossegue hoje com show de Ithamara Koorax no Palácio da Cultura. A cantora foi fundo em suas lembranças e fez uma retrospectiva da carreira para os leitores do Monitor. Ithamara falou sobre suas influências, a carreira internacional e antecipou um pouco do repertório que apresenta aos campistas.
Capa do caderno B1 - maiscultura
O jazz de uma iluminada
Ithamara Koorax faz um retrospecto da carreira e conta como será sua apresentação, hoje, em Campos
Danielle Brandão
O Imagem Jazz & Blues, promoção do Sesc em parceria com a Prefeitura de Campos, está trazendo muitas atrações durante este mês e hoje a artista da vez é a cantora Ithamara Koorax, que se apresentará no Palácio da Cultura. A cantora, que foi eleita a quarta melhor no mundo do jazz pela revista DownBeat, promete levar ao público o melhor do jazz, temperado com MPB e Bossa Nova. Aproveitando sua vinda, o Monitor entrevistou Ithamara, que contou um pouco sobre a carreira, e sobre como surgiu seu interesse pela música.
Como surgiu seu contato com o jazz?
No início da adolescência, começou o interesse pela MPB, através de Elis Regina e, mais tarde, Elizeth Cardoso, que ainda hoje são as minhas cantoras brasileiras favoritas. Por uma abençoada sincronicidade do destino, muito tempo depois, quando iniciei a carreira profissional, Elizeth tornou-se minha madrinha artística. Aos poucos comecei a ouvir também jazz, especialmente os discos da Ella Fitzgerald e da Sarah Vaughan. Um dos meus favoritos era "The Best Is Yet To Come", da Ella, com arranjos de Nelson Riddle, que tinha uma gravação fantástica de "Autumn in New York". Tanto que, ao decidir grava-la como faixa-título do meu oitavo disco, em 2004, dediquei a faixa à Ella e Nelson Riddle. Lembro que eu também ouvia muito Frank Sinatra, Tony Bennett, e instrumentistas como Milt Jackson, Joe Pass, Miles Davis, Chet Baker. Depois me apaixonei por Urszula Dudziak, Helen Merrill, Shirley Horn e Flora Purim, as cantoras de jazz que mais me influenciaram.
O Brasil tem uma tradição no exterior com a consagrada Bossa Nova e MPB, porém você foi eleita a quarta melhor cantora do mundo no Jazz. O que significou isso para você?
Ter reconhecimento internacional é algo muito estimulante, que obriga você a se esforçar e se aprimorar cada vez mais. Por isso eu estou sempre estudando. A questão dos prêmios é relativa, porque em um ano eu posso aparecer em quarto lugar e depois em terceiro ou oitavo na lista das "melhores cantoras de jazz" elaboradas pelas principais revistas do planeta, como a americana DownBeat, a francesa Jazz Hot, a inglesa Jazz Journal e a japonesa Swing Journal. No ano passado, eu fiquei em sétimo lugar na eleição dos leitores da DownBeat, mas desde 2000 eles me colocam entre as "dez mais". Essas premiações são importantes porque ampliam a minha visibilidade e medem a popularidade do meu trabalho. Mas dependem de muitos fatores sobre os quais eu não tenho controle: divulgação, execução em rádio, resenhas etc. Então eu não posso ficar me preocupando com isso, devo apenas seguir estudando e procurando me aperfeiçoar para fazer jus ao reconhecimento que eventualmente ocorrer. Os grandes prêmios que eu considero mesmo foram as chances de ter trabalhado com meus maiores ídolos: Tom Jobim, Luiz Bonfá, Ron Carter, Dom Um Romão, Larry Coryell, Sadao Watanabe, Wagner Tiso, Dave Brubeck, Hermeto Pascoal, Claus Ogerman, Marcos Valle, João Donato, Gonzalo Rubalcaba e o grupo Azymuth, além da minha madrinha Elizeth Cardoso, entre tantos grandes nomes.
Você acha que o Brasil dá o valor merecido aos músicos de Jazz? Ou ainda é preciso dar mais oportunidades para jazz?
Há muitos festivais e uma boa divulgação. As "panelinhas" é que são o problema. A inveja também é uma m.... Quando mais sucesso você faz no exterior, mais a imprensa musical fala mal. Isso aconteceu com Jobim, Bonfá, Sergio Mendes, Carmen Miranda, não é uma nenhuma novidade. Eu agora aprendi a não revelar nem metade do que acontece de bom pra mim no exterior, para não aumentar o mau-olhado (risos).
Mesmo fazendo vários shows pelo país, você já encontrou dificuldades para divulgar seu trabalho?
Já encontrei sim, mas não posso me queixar do Brasil em termos de público. Em 2005 fiz 104 shows. Em 2006, 118. Metade deles no Brasil. Mas eu tenho que confessar que a minha prioridade é o mundo. O Brasil faz parte do mundo. Sigo aquela filosofia do Milton: "o artista tem que ir aonde o povo está". Ou seja, se me querem na Finlândia, na Inglaterra ou em Londres, eu vou. Se me chamam para Belém, Salvador ou Campos também vou e fico mais feliz ainda porque é o meu país. Eu nunca reneguei as minhas raízes. Eu as universalizei.
Você se acha uma cantora mais talhada à música brasileira ou ao jazz?
No Brasil, algumas pessoas dizem que eu me auto-proclamei "cantora de jazz", mas isso nunca aconteceu. Eu canto todos os tipos de música, inclusive jazz. Quando eu gravo trilhas sonoras para cinema ou para novelas, não estou cantando jazz. Meu maior sucesso no Brasil, "Iluminada", foi tema da personagem de Vera Fischer na mini-série "Riacho Doce", que aliás acaba de ser relançada em DVD. A música estourou nas rádios e até hoje pedem para cantá-la nos shows. "Iluminada" também me abriu as portas na TV Globo, tanto que eu já gravei dez músicas para trilhas de novelas como "Pedra Sobre Pedra", "Cara & Coroa", "Renascer" e "Fera Ferida". A mais recente foi "Absolute Lee", uma composição inédita de Tom Jobim que entrou na trilha de "Celebridade", em 2004. Meu maior sucesso na Ásia é "Dio Come Ti Amo", uma canção italiana do Domenico Modugno. Nenhuma delas tem a ver com jazz, foram estouros na parada pop. Quando eu faço concertos ou gravo com orquestras sinfônicas, canto Villa-Lobos. Se eu fosse uma cantora estritamente jazzística, não teria esta elasticidade estilística. Por que eu deveria me restringir a um único estilo, se gosto de vários? Eu não quero me limitar. Ao contrário, busco sempre a evolução artística, a expansão.
Um show sempre gera expectativas. Quais são as suas para o show de Campos?
Pra mim não tem diferença se eu estou fazendo um show com entrada franca em uma cidade do Rio ou um concerto de gala em Londres com ingressos a 120 libras. A minha entrega e a minha dedicação são as mesmas. A única diferença é a adequação do repertório ao tamanho do lugar, ao horário de show e à outras coisas deste tipo. Estive em Campos duas vezes, ambos os shows foram ótimos, o público me recebeu com um carinho imenso. Sou privilegiada porque tenho a liberdade de cantar apenas o que eu gosto. Ninguém manda na minha carreira. Posso cantar jazz, música clássica, MPB, bossa nova, música francesa, italiana, realmente não tenho preconceito de espécie alguma. Se a música fala ao meu coração, entra no meu repertório. É um "processo" comandado exclusivamente pela emoção.
No início da adolescência, começou o interesse pela MPB, através de Elis Regina e, mais tarde, Elizeth Cardoso, que ainda hoje são as minhas cantoras brasileiras favoritas. Por uma abençoada sincronicidade do destino, muito tempo depois, quando iniciei a carreira profissional, Elizeth tornou-se minha madrinha artística. Aos poucos comecei a ouvir também jazz, especialmente os discos da Ella Fitzgerald e da Sarah Vaughan. Um dos meus favoritos era "The Best Is Yet To Come", da Ella, com arranjos de Nelson Riddle, que tinha uma gravação fantástica de "Autumn in New York". Tanto que, ao decidir grava-la como faixa-título do meu oitavo disco, em 2004, dediquei a faixa à Ella e Nelson Riddle. Lembro que eu também ouvia muito Frank Sinatra, Tony Bennett, e instrumentistas como Milt Jackson, Joe Pass, Miles Davis, Chet Baker. Depois me apaixonei por Urszula Dudziak, Helen Merrill, Shirley Horn e Flora Purim, as cantoras de jazz que mais me influenciaram.
O Brasil tem uma tradição no exterior com a consagrada Bossa Nova e MPB, porém você foi eleita a quarta melhor cantora do mundo no Jazz. O que significou isso para você?
Ter reconhecimento internacional é algo muito estimulante, que obriga você a se esforçar e se aprimorar cada vez mais. Por isso eu estou sempre estudando. A questão dos prêmios é relativa, porque em um ano eu posso aparecer em quarto lugar e depois em terceiro ou oitavo na lista das "melhores cantoras de jazz" elaboradas pelas principais revistas do planeta, como a americana DownBeat, a francesa Jazz Hot, a inglesa Jazz Journal e a japonesa Swing Journal. No ano passado, eu fiquei em sétimo lugar na eleição dos leitores da DownBeat, mas desde 2000 eles me colocam entre as "dez mais". Essas premiações são importantes porque ampliam a minha visibilidade e medem a popularidade do meu trabalho. Mas dependem de muitos fatores sobre os quais eu não tenho controle: divulgação, execução em rádio, resenhas etc. Então eu não posso ficar me preocupando com isso, devo apenas seguir estudando e procurando me aperfeiçoar para fazer jus ao reconhecimento que eventualmente ocorrer. Os grandes prêmios que eu considero mesmo foram as chances de ter trabalhado com meus maiores ídolos: Tom Jobim, Luiz Bonfá, Ron Carter, Dom Um Romão, Larry Coryell, Sadao Watanabe, Wagner Tiso, Dave Brubeck, Hermeto Pascoal, Claus Ogerman, Marcos Valle, João Donato, Gonzalo Rubalcaba e o grupo Azymuth, além da minha madrinha Elizeth Cardoso, entre tantos grandes nomes.
Você acha que o Brasil dá o valor merecido aos músicos de Jazz? Ou ainda é preciso dar mais oportunidades para jazz?
Há muitos festivais e uma boa divulgação. As "panelinhas" é que são o problema. A inveja também é uma m.... Quando mais sucesso você faz no exterior, mais a imprensa musical fala mal. Isso aconteceu com Jobim, Bonfá, Sergio Mendes, Carmen Miranda, não é uma nenhuma novidade. Eu agora aprendi a não revelar nem metade do que acontece de bom pra mim no exterior, para não aumentar o mau-olhado (risos).
Mesmo fazendo vários shows pelo país, você já encontrou dificuldades para divulgar seu trabalho?
Já encontrei sim, mas não posso me queixar do Brasil em termos de público. Em 2005 fiz 104 shows. Em 2006, 118. Metade deles no Brasil. Mas eu tenho que confessar que a minha prioridade é o mundo. O Brasil faz parte do mundo. Sigo aquela filosofia do Milton: "o artista tem que ir aonde o povo está". Ou seja, se me querem na Finlândia, na Inglaterra ou em Londres, eu vou. Se me chamam para Belém, Salvador ou Campos também vou e fico mais feliz ainda porque é o meu país. Eu nunca reneguei as minhas raízes. Eu as universalizei.
Você se acha uma cantora mais talhada à música brasileira ou ao jazz?
No Brasil, algumas pessoas dizem que eu me auto-proclamei "cantora de jazz", mas isso nunca aconteceu. Eu canto todos os tipos de música, inclusive jazz. Quando eu gravo trilhas sonoras para cinema ou para novelas, não estou cantando jazz. Meu maior sucesso no Brasil, "Iluminada", foi tema da personagem de Vera Fischer na mini-série "Riacho Doce", que aliás acaba de ser relançada em DVD. A música estourou nas rádios e até hoje pedem para cantá-la nos shows. "Iluminada" também me abriu as portas na TV Globo, tanto que eu já gravei dez músicas para trilhas de novelas como "Pedra Sobre Pedra", "Cara & Coroa", "Renascer" e "Fera Ferida". A mais recente foi "Absolute Lee", uma composição inédita de Tom Jobim que entrou na trilha de "Celebridade", em 2004. Meu maior sucesso na Ásia é "Dio Come Ti Amo", uma canção italiana do Domenico Modugno. Nenhuma delas tem a ver com jazz, foram estouros na parada pop. Quando eu faço concertos ou gravo com orquestras sinfônicas, canto Villa-Lobos. Se eu fosse uma cantora estritamente jazzística, não teria esta elasticidade estilística. Por que eu deveria me restringir a um único estilo, se gosto de vários? Eu não quero me limitar. Ao contrário, busco sempre a evolução artística, a expansão.
Um show sempre gera expectativas. Quais são as suas para o show de Campos?
Pra mim não tem diferença se eu estou fazendo um show com entrada franca em uma cidade do Rio ou um concerto de gala em Londres com ingressos a 120 libras. A minha entrega e a minha dedicação são as mesmas. A única diferença é a adequação do repertório ao tamanho do lugar, ao horário de show e à outras coisas deste tipo. Estive em Campos duas vezes, ambos os shows foram ótimos, o público me recebeu com um carinho imenso. Sou privilegiada porque tenho a liberdade de cantar apenas o que eu gosto. Ninguém manda na minha carreira. Posso cantar jazz, música clássica, MPB, bossa nova, música francesa, italiana, realmente não tenho preconceito de espécie alguma. Se a música fala ao meu coração, entra no meu repertório. É um "processo" comandado exclusivamente pela emoção.
E sobre o repertório e os músicos...
Pretendo cantar pelo menos uma música de cada um dos meus dez discos, além de temas do tecladista José Roberto Bertrami, que é o líder do grupo brasileiro de maior sucesso no cenário jazzístico internacional, o Azymuth. Ele também tocou e gravou com Sarah Vaughan e Elis Regina. Então é uma grande honra poder tocar com ele há 17 anos, desde o início da minha carreira em 1990. O trio é completado pelo baixista Jorge Pescara e pelo baterista Haroldo Jobim. Já temos uma interação quase telepática e sempre nos divertimos muito. Vou convidar também o cantor Marcos Ozzellin para dar uma canja na música "Linha do Horizonte".
Tem planos para um próximo CD? E agenda para os próximos shows?
Felizmente a agenda já tem shows marcados até maio de 2008. Acabei de chegar da Europa com o trio e agora já tenho que voltar porque uma música minha, "O Passarinho", gravada com a banda Gazzara, entrou na trilha sonora da versão italiana do Big Brother e estourou nas rádios e nas pistas de dança, com vários remixes. Depois retorno ao Brasil para o Festival de Jazz de Ipatinga, em Minas Gerais, e em outubro faço a minha turnê asiática anual, incluindo Japão, Coréia, China, Hong Kong e Taiwan. Meu próximo disco, gravado na Suiça em outubro de 2006, está pronto e será lançado no final deste ano. Claro que eu ainda tenho muitos sonhos, entre eles cantar em Israel e na Polônia. Mas posso dizer que já me sinto plenamente realizada. Se eu decidir me "aposentar" precocemente, me aposento feliz demais! Toquei e gravei com meus maiores ídolos: Tom Jobim, Luiz Bonfá, Ron Carter, Larry Coryell, John McLaughlin, Dom Um Romão, Dave Brubeck. O que mais eu poderia querer?
Tem planos para um próximo CD? E agenda para os próximos shows?
Felizmente a agenda já tem shows marcados até maio de 2008. Acabei de chegar da Europa com o trio e agora já tenho que voltar porque uma música minha, "O Passarinho", gravada com a banda Gazzara, entrou na trilha sonora da versão italiana do Big Brother e estourou nas rádios e nas pistas de dança, com vários remixes. Depois retorno ao Brasil para o Festival de Jazz de Ipatinga, em Minas Gerais, e em outubro faço a minha turnê asiática anual, incluindo Japão, Coréia, China, Hong Kong e Taiwan. Meu próximo disco, gravado na Suiça em outubro de 2006, está pronto e será lançado no final deste ano. Claro que eu ainda tenho muitos sonhos, entre eles cantar em Israel e na Polônia. Mas posso dizer que já me sinto plenamente realizada. Se eu decidir me "aposentar" precocemente, me aposento feliz demais! Toquei e gravei com meus maiores ídolos: Tom Jobim, Luiz Bonfá, Ron Carter, Larry Coryell, John McLaughlin, Dom Um Romão, Dave Brubeck. O que mais eu poderia querer?
Artigo publicado no "Diário de Campos"
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Jornal "O Diário de Campos" -
Campos dos Goytacazes, 16.08.2007 - quinta-feira
Caderno Dmais
Uma das quatro melhores do mundo
“Eu costumo dizer que não escolhi a música. Fui escolhida por ela”. Assim afirmou a cantora Ithamara Koorax em entrevista ao Jornal O Diário. Badalada artista do mundo do jazz, aclamada entre as quatro melhores do mundo pela Revista Down Beat (uma bíblia do jazz) em 2002, ela estará hoje, às 20h, no Palácio da Cultura.
O que o Jazz tem de melhor
Telmo Filho
“Eu costumo dizer que eu não escolhi a música. Fui escolhida por ela”. Assim afirmou a cantora Ithamara Koorax numa entrevista dada ao Jornal O Diário. Uma badalada artista do mundo do jazz, aclamada como uma das quatro melhores do mundo pela Revista Down Beat (uma bíblia do jazz) em 2002, estará hoje, às 20h, no Palácio da Cultura, dando continuidade a programação do II Jazz, Blues & Imagem, evento este que está sendo realizado pelo Sesc Rio no Sesc Campos.
Segundo Ithamara, o espetáculo será uma retrospectiva dos seus 17 anos de carreira, garantindo cantar músicas dos dez discos. A música “Mas que Nada”, gravada três vezes pela cantora, e “Carinhoso”, que faz parte do CD “Brazilian Butterfly, lançado este ano, comporá o repertório. “O resto eu decido na hora. Os músicos sobem ao palco com uma lista de até 120 músicas e ficam prontos para o que vai rolar”, explicou.
“My Favorite Things”, carro-chefe do John Coltrane, e “I Get A Kick Out of You”, uma das favoritas de Frank Sinatra, também serão cantadas por Ithamara. “Estou testando também alguns arranjos para músicas de Cassiano (“Primavera”) e Nonato Buzar (“Vesti Azul”), que eu penso incluir no próximo disco.
Rótulo – Ser rotulada como “cantora brasileira de jazz” atrapalha um pouco sua carreira, pois, para Ithamara, limita a sua área de atuação no Brasil. “Pessoas que não gostem de jazz podem nem querer ouvir o meu trabalho pensando que eu só canto jazz. Pior, pensando que eu canto um determinado tipo de som, que na cabeça delas, significa jazz. Se a pessoa é fã de bebop ou jazz tradicional, por exemplo, vai no mínimo ficar frustrada, porque não canto bebop e raramente faço scat-singing, embora eu saiba fazer”.
De acordo com Ithamara, jamais se auto-definiu como “jazz singer”, pois para ela este termo remete logo à Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Leny Andrade no Brasil. “Acho ridículo ficar imitando as cantoras americanas. Elas são cantoras puramente de jazz, não eu”. Ithamara frisou gostar de música eletrônica. “Trabalho com Djs, minhas gravações são sempre remixadas para o mercado de dance-music, misturo elementos de jazz com samba e funk. Estou longe de ser uma purista”.
Entre as quatro – Ithamara foi eleita a quarta melhor cantora do mundo, na 67ª votação anual, publicada na edição de dezembro de 2002, da revista mais importante da história do jazz, a Down Beat, ficando atrás apenas de Cassandra Wilson, Diana Krall e Dianne Reeves, e à frente de Dee Dee Bridgewater, Norah Jones e Jane Monheit. “Foi um absurdo”, risos.
Desde então tem se mantido entre as Top 10. No ano passado ficou em sétimo lugar na revista. “Mas eu não posso ficar me preocupando com isso porque estas premiações dependem de vários fatores sobre os quais não tenho controle: divulgação, execução em rádio, a sorte de alguma faixa entrer numa trilha sonora ou numa coletânea de sucesso”, ressaltou.
Trajetória
Ithamara Koorax iniciou sua carreira profissional em 1990 quando foi chamada para lançar as composições da dupla Guinga e Aldir Blanc. Fez sua primeira gravação “Iluminada” para a trilha da série “Riacho Doce”, da TV Globo e recebeu convite para fazer sua primeira turnê pelo Japão. Seu primeiro CD “Ithamara Ao Vivo Acústico”, antes de começar a onda dos “unpluggeds”, saiu em 93 pela JVC e era totalmente MPB. “Foi um sucesso de crítica e um fracasso de vendas”, lembrou. Em 94 saiu o segundo CD “Rio Vermelho”, gravado com Tom Jobim, Luiz Bonfá, Ron Carter e Sadao Watanabe. Uma das faixas “Cry Me A River”, a única que Ithamara tinha gravado em inglês, estourou nas rádios japoneses e o CD chegou a Top 10 da parada de jazz.
Ithamara contou que passou a ouvir jazz cada vez mais e isso começou a refletir em seus discos. “Até que recebi o convite da Milestone Records em 1999 para assinar um contrato para o mercado dos EUA. Com o lançamento do disco “Serenade in Blue”, passei a ser rotulada como “jazz singer” pelos críticos, por causa do meu fraseado. Até então, meus discos saíam apenas na Europa e no Japão, e por isso eu era solemente ignorada por todas as revistas norte-americanas”. A cantora declarou seu amor pela Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, mas suas minhas maiores influências foram Carmen McRae, Shirley Horn, Tony Bennett, Urszula Dudziak, Mark Murphy e Flora Purim.
O álbum mais recente foi lançado mundialmenete este ano, intitulado “Brazilian Butterfly” que já vem sendo aclamado pelas mais importantes revistas de música do mundo, incluindo as edições de Fevereiro de 2007 da DownBeat (4 estrelas), Jazz & More (5 estrelas, eleito “disco do mês”) e JazzTimes (também votado disco vocal do mês).
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